Arquivo da tag: Depressão

Tempos de Tormenta: Do Amor às Linhas de Expressão

Padrão

pes (1)

Chega um dia que as coisas não podem mais ser como são.

Não importa de quem é a decisão, toda não ação também gera uma reação. Nesse caso, to falando de separação mesmo. Não importa o que houve, quem está certo, vasculhar o passado pra achar a culpa e quem é o grande culpado.

O fato é que depois de muitos anos (quando digo muitos, pense na maioridade) me sinto como vim ao mundo, com a alma desnuda e quando olho o relógio quase sempre são tres da manhã…

Chega a constatação: estou atravessando tempos de tormenta.

Tá achando dramático?! Então você ainda não amou ninguém, não sonhou e nem fez planos de morar junto, casar, ter filhos (deixa isso pra lá) não sentiu sua vida devastada.

Quero mesmo é falar da dor, como se faltasse um braço, ou como diria minha musa, Clarice Lispector: como se faltasse um dente da frente, excruciante.

Toda relação longa é simbiótica e quando você se vê novamente sozinha, não sabe direito quem é, o que gosta, onde quer ir – oi, crise de identidade!

Dá uma sensação de ressaca, só que sem o porre e com gripe. É muito físico. O corpo dói, parece que se você dormisse por aproximadamente uns 15 dias seguidos, acordasse e tomasse uma sopinha tudo ficaria bem. Ah, sim… pode se dizer que está convalescendo.

Só que você acorda a cada dia… e vive um luto de pessoa viva, tem sintomas de abstinencia.

Se tortura com as boas lembranças e acha que nunca mais vai conseguir ser feliz de novo. Não nessa vida.

Aí, lembro do meu último aniversário, sozinha em um quarto de hotel, comendo um bolo pra 2 pessoas, as lágrimas descendo involuntariamente e a promessa de que NUNCA mais passaria um aniversário assim.

Lembro que a Camila me ligou, disfarcei o choro e fingi uma falsa alegria. É claro que ela percebeu que algo estava errado mas num gesto tácito de cumplicidade, fingiu que não percebeu. Fez piadinhas, fez o que toda melhor amiga faz: tenta te levantar quando você está tombada. O que é melhor você fazer mesmo, é se agarrar nessa centelha de esperança e levantar. Essa história de que no fundo do poço tem mola é conversa. Se você não reagir, o fundo do poço fica mais fundo, escuro e frio (já me disse um grande amigo, certa vez).

Como eu disse pra Camila aquele dia, um brinde as rugas finas! Sim, as linhas tornam se projetos de rugas.

E o tempo é especialmente cruel com nós, mulheres. Nos faz refletir o que tem sido de nós. Por sorte ou genética, vejo que o tempo me valorizou.

Mas não me livrou da minha primeira crise de idade. Até então, pensei que fosse imune, assim como você… ah, desculpe! Sua auto estima é inabalável!

Tá achando pesado? Saiba que o lindo também tem crise de idade… e daquelas. Com direito a fazer o tio da sukita e tudo.

Aí você se dá conta que começou o relacionamento tratando das espinhas e agora tá no consultório da dermatologista preocupada com as linhas de expressão, em tomar cápsulas de colágeno e selênio, em fazer do tempo seu aliado.

A ideia aqui não é ficar com carinha de 18, nem se repuxar toda, muito menos ficar neurótica. Nenhum creme anti idade vai resolver suas crises mas vai ajudar a elevar sua auto estima que é uma beleza!

A vida não tem garantias, o que nos deixa mais aflitos com nossas escolhas. Deus não manda um sms com o que devemos fazer e tudo que temos que fazer é decidir e confiar. Porque viver é um estado de crise permanente e o que realmente importa na vida é ter coragem.

Coragem de tomar decisões apesar do medo. Coragem de abrir mão de um grande amor e seguir teu rumo, ou nenhum rumo. Coragem de mudar, simplesmente porque você não quer mais os mesmos resultados. Coragem de estar no meio da tormenta sem se julgar e não fugir da dor.

Não adianta se esquivar, fingir que não sente. Melhor mesmo é chorar até os olhos incharem, se permitir não estar bem nem se cobrar demais. Desculpe quem disse que o sofrimento é opcional mas em matéria de amor é quase condicional.

Impossível sair ileso. Agora é tempo de olhar pra dentro e alimentar esse espaço vazio que se formou entre o estômago e o coração. Tempo de acordar cada dia e pensar: só por hoje. Abstinencia, AA… quase isso.

Tempo de esperar a tormenta passar. E investir em bons cremes, querida! Porque o tempo urge… Você fazendo alguma coisa ou não.

Tati Felix

eletro coração

P.S. Esse post não é um manual nem sequer vou dar dicas de como sair dessa, até porque estou nessa!

It’s okay not to be okay. Isn’t it?

Padrão

its-okay-not-to-be-okayPensando em como e com qual assunto voltar a escrever depois dessa “pequena” pausa, me senti tomada por uma velha amiga, de quem já tentei me livrar, mas não me abandona, e que muitas vezes vem me fazer companhia e me impede de tomar alguns passos e decisões: a culpa.

Culpa de ter ficado tanto tempo sem escrever, culpa de ficar pensando isso ao invés de escrever, culpa de ter deixado a culpa reaparecer… Enfim, culpa que não acaba mais e que todos conhecemos, reconhecendo ou não, em maior ou menor grau.

E toda essa “confusão mental” gerou um pensamento: mas será que eu não tenho o direito de ficar mal? Será que não podemos simplesmente ter preguiça de existir? Não no sentido depressivo-suicida-patológico, é claro; pois esse eu conheço bem e posso tratar ou indicar um amigo ou amiga que o faça.

Digo no sentido domingo-a-noite-final-de-feriado estendido pra todos os dias da semana, por mais de um mês, assistindo seis temporadas de um seriado em uma semana (culpada!), comendo o que tiver vontade ou ficando sem comer, fazendo só o essencial para existir e não ser demitida do emprego ou perder oportunidades imperdíveis (afinal, a vida vale a pena e é apenas uma fase)… Será que eu sou a única que sente isso? Acho e espero que não…

E eis que no meio dessa avalanche de sentimentos e pensamentos confusos, em um dos momentos preguiça-de-existir, assistindo televisão, me deparo com uma música que não é nova (tem pelo menos um ano), mas que eu não conhecia, de uma cantora-compositora de quem eu só conhecia uma música (por sinal muito diferente dessa), chamada Jessie J.

Para ser justa, vou dar os créditos merecidos. O programa em que eu ouvi a música pela primeira vez foi o American Idol, em uma performance da candidata Angie Miller, que ficou em terceiro lugar na competição. Sim, confesso mais este “guilty pleasure”… Assisto e adoro American Idol.

Pecado confessado, volto à música. Foi como se alguém estivesse dentro da minha cabeça e colocasse em palavras de forma organizada o que eu não conseguia. Impressionante. E como ela diz melhor que eu, sem mais delongas, coloco a letra, com a tradução ao lado:

Who you areÉ isso! Tudo bem não estar bem; não há nada errado com isso.

Todo mundo passa por momentos em que a vida prega peças, em que parece que o que não está certo é mais importante do que tudo que é bom, em que o que não funciona paralisa. Em que a vida não encaixa. São momentos que nos fazem descobrir ou redescobrir quem somos.

E o que fazer durante este processo? Acho que é isso que importa: o que fazemos com isso.

Há o tempo de curtir a deprê, afinal, ela é necessária e tem seu glamour! Maysa, oi?

Mas nada nos impede de fazer isso belíssimas, de batom vermelho e salto alto, ou curtir qualquer coisa que nos faça tão bem quanto, como o marido ou namorado, um bom filme, um bom livro, boa música, papo com os amigos, um jantar especial… Ou tudo ao mesmo tempo!

Eu decidi que não tem problema eu não estar bem, mas decidi também que isso não é motivo pra não estar bonita. Estranho? Talvez. Pra mim é novidade…

E essa pra mim tem sido a luz no fim do túnel, seja no vestir, na maquiagem, ou no blog, que finalmente consegui quebrar o ciclo de culpa e paralisia e voltei a investir, sorrindo! (thanks, Jessie J)

Para concluir minha obsessão com a música, segue abaixo o vídeo das duas versões: o clipe com a Jessie J e a versão da Angie Miller.

Belíssima. De arrepiar. Viciante.

Talvez seja meu momento. Ou talvez a música seja tudo isso mesmo… Whatever! 😉

Beijos

Camila

SERÁ QUE TEM GLAMOUR NA MORTE?!

Padrão

Mulher loura ( EM DESENHO )

Certas coisas não acontecem com a gente. Só acontece com a tia da prima da amiga da vizinha.

Mas quem em sã consciência é capaz de admitir e contar o que acontece no mais íntimo do seu lado B?

Bom, aí vou eu:

Comecei a sentir palpitações de vez em quando e uma certa sensação de ansiedade uma angústia como se algo ruim fosse acontecer. Só que tive palpitações por 3 dias seguidos, insônia, agitação e medo. Medo de ter um treco, de morrer.

E foi assim que fui parar no P.S. do HCor. Deitada na maca, sentindo as pontas dos dedos da mão esquerda formigar. Um enfermeiro usando um óculos esquisito me pede pra levantar a blusa pra fazer o eletrocardiograma.

Me dou conta de que na correria não vesti o sutiã.

Levantei a blusa, olhei pro canto da sala e sentado  na cadeira, meu namorado olhando a cena com censura (“Cadê seu sutiã?”).

Pior que isso: meu seio esquerdo nu, o mamilo apontando o teto… e quantos eletrodos!

Fim do exame, hora da verdade.

– O que tenho Doutor?

– Na verdade, no coração, NADA!

– Mas e os sintomas? Meu quase enfarte onde foi parar?

– Ansiedade, você está muito agitada. precisa descansar, fazer exercícios, procurar um psiquiatra…

– Oi?!

– Síndrome do Pânico, prazer.

Assim vou saindo meio sem jeito em direção ao elevador. reencontro o enfermeiro de óculos esquisitos empurrando uma cadeira de rodas. Pro meu desespero ele acena, sorri e me deseja melhoras.

Na porta do hospital meu namorado diz: – Viu, você não tem nada, tá ótima. Só veio pagar peitinho pro enfermeiro. Mas só uma dúvida, por que não colocou sutiã?

É que na correria, no auge do mal estar, o sutiã incomodava por causa das palpitações.

Porque na morte não há pudor e nem glamour.

Tati Felix