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Moda: para quê? – O início…

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A moda é um assunto tão controverso…

Apesar de sempre ter gostado de tudo que envolve o mundo fashion, passei um bom tempo (tempo demais!) da minha vida afastada, sem pensar ou me preocupar com isso. Nunca deixei minhas “comprinhas” (aspas bem grandes, pois o número de sacolas que entravam na minha casa não coincide com o diminutivo) de lado, mas acompanhar o movimento, os desfiles, me preocupar com um estilo, compor looks interessantes, nada disso fazia parte do meu cotidiano. Me preocupar com maquiagem? Quem tem tempo pra isso? Cuidar da pele e do cabelo? Pra quê? (é claro que neste caso fui abençoada com uma pele e um cabelo que, antes dos 30, exigiam manutenção zero. E apesar de meu descaso, eles continuam colaborando comigo… Tks God!)

Não acho que passei vergonha nem que envergonhei quem convivia comigo, mas certamente entediei qualquer pessoa minimamente antenada que prestasse atenção em mim.

Grande parte disso aconteceu porque eu passei muito tempo me levando a sério demais. Exatamente. Mergulhei no “mundo intelectual” e tirei o pior proveito possível, passando a considerar o universo da moda fútil. Não que ele não tenha a sua futilidade, mas quem disse que é possível viver uma vida sem futilidades? Ou ainda, qual é a graça de uma vida assim?

Eis que chegou o momento em que a Universidade e o dito “mundo intelectual” me decepcionou e me cansou a tal ponto que, sem perceber, me peguei muito mais animada pensando sobre meu guarda-roupa do que sobre a pesquisa de campo do Mestrado que não acabava nunca. As conversas sobre produtos diversos (maquiagem, pele, cabelo) com as amigas me deixavam muito mais viva do que as discussões de caso e, apesar de adorar minha coleção das obras completas de Freud e Lacan, poder assinar e ler a Allure e a Vogue americana no iPad foi meu verdadeiro prazer “literário” nos últimos tempos. Poderia até dizer que foi um “guilty pleasure”, mas não estou aqui pra mentir e devo dizer que não senti a menor culpa. Adorei cada artigo!

Pois então, levando a Psicanálise um pouco mais a sério (apesar de saber que é muito provável que alguns – muitos? – colegas psicanalistas me olharão com desconfiança) e a mim um pouco menos, descobri que o que me dá prazer na vida é sim a Psicologia, a Psicanálise, a Universidade, e também a Moda, a Maquiagem, os Cuidados com a Pele e o Cabelo e tantas outras coisas que este mundo tem a nos oferecer. Esta sou eu e não posso (não quero mais) brigar com o meu desejo.

Ir a Nova York e não visitar o MET (The Metropolitan Museum of Art), o MoMA (The Museum of Modern Art), a Broadway, o Blue Note? Um pecado. Ir para Nova York e não visitar a Bloomingdales, Forever 21, H&M, Sephora, CVS, Duane Reade… Um sacrilégio!

A moda pode sim ser utilizada de modo fútil, ser cruel, desigual. Mas também pode ser transformadora. Uma transformação que acontece de fora pra dentro e talvez por isso se confunda com algo superficial, que não precisa ser. Pra mim não é.

Vamos fazer dessa “indústria” (arte?) nossa aliada, encontrar nosso estilo e utilizá-lo como uma ferramenta de empowerment.

E não esquecer: poucas coisas são melhores (se é que há alguma) que uma blusinha linda para curar aquela deprê fora de hora.

Chanel_quote

Beijos

Camila