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Moda: para quê?

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Mais um domingo chegou. É claro! Ele vem toda semana… O problema é que pra mim este tem sido um dia de reflexão, cada vez mais. Não sei muito bem porquê (sei um pouco…), e nem se isto é necessariamente um problema, mas o fato é que é isso que vem acontecendo nos últimos tempos. E começa logo cedo! Nem precisa da música do Fantástico!

Desta vez a “depressão” foi menos dramática (e louca… e megalomaníaca… rs) e mais reflexiva; teve totalmente a ver com o blog e o que me move no mundo da moda. Pensamentos e questionamentos de uma psicóloga-psicanalista-consultora de imagem. Então resolvi falar (escrever) um pouco sobre isso.

Chanel-quote2Como eu já disse aqui no blog, pra mim, a moda não é fútil. Ela pode ser confundida com futilidade, pois tem toda uma indústria por trás dela que é alvo das mais diversas críticas, que eu deixo para os meus colegas de profissão ou da Academia fazerem. Mas gostaria de falar um pouco sobre isso.

Na minha opinião a moda tem um poder transformador: já passei por isso e já vi isso acontecer. Uma transformação que acontece de fora pra dentro. Este poder é tão claro e verdadeiro pra mim que fico triste (ou mesmo brava) de ver tantas pessoas considerando a moda fútil. Mas então o que é fútil? No dicionário? Houaiss diz:

1. que ou o que não tem importância ou mérito; inútil, superficial;

2. que ou o que tem aspecto enganador, não inspira confiança, não tem constância; frívolo, leviano.

Então talvez a indústria da moda seja. Ela não tem constância, muda a cada semestre, o que é lindo hoje é horrível amanhã e vice-versa, sugere gastos exorbitantes e desnecessários, exibe e exige corpos magérrimos.

É uma indústria que nos apresenta grandes artistas, gênios. Produz obras de arte. Mas ainda assim é uma indústria.

Essa é moda que se esvai, como bem apontou Chanel na citação lá em cima…

Mas de qual moda estou falando, então? Daquela de cada um de nós. Do uso que fazemos desta moda que nos é oferecida. De estilo, do que permanece. Ah! Essa Mademoiselle Chanel…

Quando encontramos nosso estilo, colocamos uma roupa bonita, adequada para nosso corpo, cor de pele, cor de cabelo, idade, a nossa imagem muda. E ao mudar nossa imagem nós mudamos a percepção que temos de nós. E aí está o segredo!

Ao conseguirmos nos ver diferente, começamos a conseguir nos sentir diferentes.

stacy-londons-the-truth-about-style-book-and--L-gJKPrlPreciso ser justa e dar os devidos créditos pra quem me ajudou a esclarecer e colocar esse sentimento que eu tinha em palavras. Essa pessoa é Stacy London, que ficou conhecida no programa Esquadrão da Moda (What Not to Wear), que passa no canal TLC (antigo Discovery Home & Health no Brasil). Pois é… Eu adoro esse programa! O americano. Confesso que nunca assisti o brasileiro. Ela escreveu um livro que eu adorei chamado The Truth About Style. Quem tem interesse sobre o tema moda-transformação pessoal vai gostar. Por enquanto não tem tradução para o português.

Crédito dado, volto ao assunto.

O resumo da idéia de Stacy (e minha) é: ver para sentir para pensar para acreditar. Viu só? Mudança! De fora pra dentro.

Ter estilo não precisa ter nada a ver com ser vítima da moda. Essa é uma confusão comum. Ter estilo tem a ver com melhorar quem você é, ser a melhor versão de você mesmo, e não ser igual a qualquer outra pessoa ou todas as outras pessoas.

Acreditar que podemos ser uma “melhor versão possível de nós mesmos” implica em conhecer e aceitar quem somos e lutar para mudar o que é possível. E se for mais “fácil” (ou menos difícil) começar por fora, pelo guarda-roupa, por que não?

Beijos

Camila

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Moda: para quê? – O início…

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A moda é um assunto tão controverso…

Apesar de sempre ter gostado de tudo que envolve o mundo fashion, passei um bom tempo (tempo demais!) da minha vida afastada, sem pensar ou me preocupar com isso. Nunca deixei minhas “comprinhas” (aspas bem grandes, pois o número de sacolas que entravam na minha casa não coincide com o diminutivo) de lado, mas acompanhar o movimento, os desfiles, me preocupar com um estilo, compor looks interessantes, nada disso fazia parte do meu cotidiano. Me preocupar com maquiagem? Quem tem tempo pra isso? Cuidar da pele e do cabelo? Pra quê? (é claro que neste caso fui abençoada com uma pele e um cabelo que, antes dos 30, exigiam manutenção zero. E apesar de meu descaso, eles continuam colaborando comigo… Tks God!)

Não acho que passei vergonha nem que envergonhei quem convivia comigo, mas certamente entediei qualquer pessoa minimamente antenada que prestasse atenção em mim.

Grande parte disso aconteceu porque eu passei muito tempo me levando a sério demais. Exatamente. Mergulhei no “mundo intelectual” e tirei o pior proveito possível, passando a considerar o universo da moda fútil. Não que ele não tenha a sua futilidade, mas quem disse que é possível viver uma vida sem futilidades? Ou ainda, qual é a graça de uma vida assim?

Eis que chegou o momento em que a Universidade e o dito “mundo intelectual” me decepcionou e me cansou a tal ponto que, sem perceber, me peguei muito mais animada pensando sobre meu guarda-roupa do que sobre a pesquisa de campo do Mestrado que não acabava nunca. As conversas sobre produtos diversos (maquiagem, pele, cabelo) com as amigas me deixavam muito mais viva do que as discussões de caso e, apesar de adorar minha coleção das obras completas de Freud e Lacan, poder assinar e ler a Allure e a Vogue americana no iPad foi meu verdadeiro prazer “literário” nos últimos tempos. Poderia até dizer que foi um “guilty pleasure”, mas não estou aqui pra mentir e devo dizer que não senti a menor culpa. Adorei cada artigo!

Pois então, levando a Psicanálise um pouco mais a sério (apesar de saber que é muito provável que alguns – muitos? – colegas psicanalistas me olharão com desconfiança) e a mim um pouco menos, descobri que o que me dá prazer na vida é sim a Psicologia, a Psicanálise, a Universidade, e também a Moda, a Maquiagem, os Cuidados com a Pele e o Cabelo e tantas outras coisas que este mundo tem a nos oferecer. Esta sou eu e não posso (não quero mais) brigar com o meu desejo.

Ir a Nova York e não visitar o MET (The Metropolitan Museum of Art), o MoMA (The Museum of Modern Art), a Broadway, o Blue Note? Um pecado. Ir para Nova York e não visitar a Bloomingdales, Forever 21, H&M, Sephora, CVS, Duane Reade… Um sacrilégio!

A moda pode sim ser utilizada de modo fútil, ser cruel, desigual. Mas também pode ser transformadora. Uma transformação que acontece de fora pra dentro e talvez por isso se confunda com algo superficial, que não precisa ser. Pra mim não é.

Vamos fazer dessa “indústria” (arte?) nossa aliada, encontrar nosso estilo e utilizá-lo como uma ferramenta de empowerment.

E não esquecer: poucas coisas são melhores (se é que há alguma) que uma blusinha linda para curar aquela deprê fora de hora.

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Beijos

Camila